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O Consumo Moderado de Cerveja Pode Proteger o Coração?

Publicado em 11.09.2017
O Consumo Moderado de Cerveja  Pode Proteger o Coração?
Dicas Instituto da Cerveja

Você sabia que o consumo moderado de cerveja reduz o risco de morte cardiovascular quando comparado aos indivíduos que não bebem ou que o fazem de forma abusiva? Trouxemos alguns estudos científicos que validam essa teoria. Confira!

Série Cerveja e Saúde – Verdades e Mitos

Por Dr. Pedro Veronese, médico, beer sommelier e mestre em estilos cervejeiros

 

Você sabia que essa história de bebida alcoólica e proteção cardiovascular começaram ainda na década de 80? Pois é! Estudos epidemiológicos (um tipo de estudo que acompanha o comportamento das populações) conduzidos pela Organização Mundial da Saúde demonstraram que, apesar do alto consumo de gordura saturada pelos franceses, a mortalidade cardiovascular na França, onde se consome muito vinho tinto, era semelhante à de países mediterrâneos com uma ingesta muito menor de gorduras.  

 

A partir desta observação, pesquisadores começaram a avaliar se a dieta do mediterrâneo rica em vinho tinto, azeite de oliva extra virgem e nuts poderia ser a explicação para esse fenômeno, que ficou conhecido como paradoxo Francês. E aí, você teria algum palpite?

 

Com o avanço das pesquisas, descobriu-se que tanto o álcool como os flavonóides (polifenóis) presentes na casca das uvas utilizadas para a fabricação dos vinhos tintos, tinham um papel protetor cardiovascular. Posteriormente, os mesmos benefícios foram observados na cerveja, uma bebida fermentada, rica em polifenóis encontrados principalmente no lúpulo e na cevada.

 

Evidências médicas

 

De todos os benefícios atribuídos ao consumo moderado de cerveja, a proteção cardiovascular é o que apresenta maior evidência na literatura médica. Atualmente, sabe-se que o consumo moderado de cerveja reduz o risco de morte cardiovascular quando comparado aos indivíduos que não bebem ou que o fazem de forma abusiva. Abaixo, selecionamos alguns estudos científicos que validam essa teoria.

 

1. Redução de problemas cerebrovasculares, como o AVC

 

Em 2002, Di Castelnuovo e colaboradores publicaram em uma renomada revista médica, um estudo de meta análise que demonstrou que o consumo moderado de cerveja reduziu em 21% o risco de doença coronária, em 33% o risco de doença cerebrovascular como o AVC (conhecido pela população como derrame) e em 26% o risco de eventos vasculares não fatais, quando comparados a abstêmios.

 

2. Pode reduzir o risco de infarto

 

Já em 2003 foi publicado em uma das mais prestigiadas revistas médicas do mundo, um estudo validado por mais de 38 mil profissionais da área da saúde, que mostrou que o consumo moderado de cerveja reduziu de forma significativa o risco de infarto agudo do miocárdio.

 

Logo em 2012, foi apresentado no Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo um estudo espanhol experimental em porcos, que demonstrou que a cerveja reduziu o tamanho do infarto nesta população, o risco de arritmias ventriculares graves e o risco de morte.

 

E mais recentemente, uma nova evidência publicada no jornal do colégio americano de

cardiologia, também demonstrou que o consumo moderado de cerveja não aumentou o risco de arritmias cardíacas como a fibrilação atrial.

 

3. Redução do Colesterol

 

Há ainda evidências de que o consumo moderado de cerveja possa elevar o HDL-colesterol (bom colesterol), reduzir o LDL-colesterol (colesterol ruim), reduzir marcadores de inflamação do nosso organismo e produzir vasodilatação, o que é benéfico para os indivíduos com doenças cardíacas.

 

Mas afinal, a cerveja é a solução para problemas do coração?

 

Após a leitura de todas essas informações vem uma pergunta muito frequente: já temos dados suficientes para recomendar que indivíduos que não bebem cerveja comecem a beber? A resposta é NÃO!

 

Temos dados suficientes para dizer que indivíduos saudáveis que já fazem o uso de cerveja de forma moderada e consciente podem manter esse hábito. Indivíduos com doenças específicas devem discutir as opções com seu médico.

 

Em resumo, somos paixonados por cervejas, mas também somos loucos por informações sérias e corretas, por isso gostamos de orientar nossos leitores sobre o assunto com toda a responsabilidade que o tema merece.

 

Beba menos, beba melhor!

 

Referências:

1. Di Castelnuovo et al. Circulation 2002

2. Basic Res Cardiol (2012) 107: 291

3. NEJM 2003; 348: 109-18

4. JACC Vol 64 No 3 2014 July 22, 2014: 281-9

 

Fonte: Instituto da Cerveja