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Cervejas tornam as pessoas mais inteligentes?

Publicado em 27.06.2017
Cervejas tornam as pessoas mais inteligentes?
Dicas Instituto da Cerveja

Existem muitas verdades e mitos sobre cerveja e saúde por aí, não é? Quantas vezes nos deparamos com informações sem evidências científicas e ficamos sem saber se aquilo é ou não verdade? Acompanhe nosso post e tire suas dúvidas sobre o tema.

Série Cerveja e Saúde – Verdades e Mitos

Por Dr. Pedro Veronese, médico, beer sommelier e mestre em estilos cervejeiros

 

“Cerveja não dá barriga.”, “Bebida alcóolica, se consumida com moderação, previde problemas cardíacos.”, “Pessoas que consomem bebida alcóolica vivem mais...” existem muitas verdades e mitos sobre cerveja e saúde por aí, não é?

 

Quantas vezes nos deparamos com informações sem evidências científicas e ficamos sem saber se aquilo é ou não verdade?

 

Para falar sobre isso, convidamos Dr Pedro Veronese, médico, beer sommelier e mestre em estilos cervejeiros formado pelo Instituto da Cerveja Brasil, para a missão de desvendar, com o rigor técnico que o tema exige, mas de forma fácil e descontraída, tudo sobre as verdades e mitos entre cerveja e saúde.

 

Acompanhe nosso primeiro post da série e tire todas as suas dúvidas sobre o tema.

 

Cervejas tornam as pessoas mais inteligentes? 

 

Essa foi uma questão bastante veiculada pela mídia há algum tempo atrás. O que a ciência fala sobre isso? O que é verdade e o que é mito?

 

Um estudo americano feito por pesquisadores da Universidade de Illinois em Chicago tentou responder essa pergunta. Para isso, foram selecionados 40 homens saudáveis, dos quais 20 consumiram 2 doses de vodka com cranberry e 20 deles permaneceram sóbrios. Após a ingesta alcoólica e alimentação adequada foram realizados uma série de testes cognitivos entre os grupos.

 

O grupo que fez uso moderado de bebida alcoólica resolveu 40% a mais de testes e de forma mais rápida. O melhor desempenho ocorreu principalmente nas questões que exigiam criatividade.

 

Os pesquisadores acreditam que os indivíduos sobre o efeito do álcool tenham conseguido desviar o foco da sua atenção do problema em si, ampliando o leque de possibilidades para a resolução das questões. Isso poderia explicar o porquê de muitos artistas fazerem suas criações sob o efeito do álcool.

 

Mas o que esse estudo tem a ver com cerveja? Na verdade, nada! Mas mesmo assim muitos blogs de cerveja, sites e revistas divulgaram essa informação afirmando que cerveja deixava as pessoas mais inteligentes.

 

Mas não se desespere. Um estudo prévio, feito pela Universidade de Edimburgo, avaliou por meio de questionários a associação entre o consumo de diversos tipos de bebidas alcoólicas, entre elas a cerveja, e desempenho cognitivo. Os testes avaliaram habilidades cognitivas como: velocidade de processamento de informações, memória e habilidade verbal.

 

O consumo de mais de 2 doses/dia foi associado com melhor performance nos testes cognitivos em relação aos indivíduos que bebiam ≤ 2 doses/dia ou abstêmios. Porém, uma análise mais cuidadosa dos dados demonstrou que, após ajustes realizados para o QI prévio dos indivíduos e o status socioeconômico, apenas um discreto benefício permaneceu entre o consumo global de álcool e memória (em homens e mulheres) e habilidade verbal (em mulheres).

 

Os pesquisadores concluíram que, o QI prévio e o status socioeconômico não apenas influenciaram a quantidade e o tipo de álcool consumido pelos indivíduos analisados, como explicam parcialmente a ligação entre consumo de álcool e performance cognitiva.

 

Após a avaliação de todas essas informações, concluo que os estudos indicam uma associação entre o consumo moderado de diversos tipos de álcool, inclusive cerveja, e melhor desempenho cognitivo. Principalmente em atividades que necessitem de criatividade. Para uma resposta definitiva sobre o tema, novas pesquisas serão necessárias. Desta forma, beba menos, beba melhor!

 

Para saber mais sobre o universo cervejeiro, assine a newsletter e siga o ICB nas redes sociais.

 

 

1. A.F. Jarosz et al. Uncorking the muse: alcohol intoxication facilitates creative problem solving. Consciousness and Cognition 21 (2012) 487–493.

 

2. Corley J, et all. Alcohol intake and cognitive abilities in old age: the Lothian Birth Cohort 1936 study. Neuropsychology. 2011 Mar;25(2):166-75.

 

Fonte: Instituto da Cerveja